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Costureira que montou varal solidário com máscaras morre de Covid-19 em Jaú-SP

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Foto: Yasmin Carmona Vertuan/Arquivo pessoal

Por Sérgio
Pais, G1 Bauru e Marília

A costureira
Maria Ruiz Vertuan, de 72 anos, que começou a costurar máscaras para ocupar seu
dia durante o isolamento, minimizar os efeitos de uma depressão e ainda ajudar
as pessoas que não tinham condições de comprar o item de proteção necessário
durante a pandemia, não teve tempo de desfrutar de uma novidade com a qual ela
já vinha contando, a vacina.

Confira os
números da pandemia de Covid-19 no centro-oeste paulista

Segundo
Carlos Roberto Vertuan, 46 anos, filho da Maria, a mãe teve uma evolução rápida
e violenta da doença, morrendo em menos de uma semana após apresentar os
primeiros, e ainda leves, sintomas.

Segundo ele,
a mãe reclamou de um mal-estar na quarta-feira (20) e foi levada a uma unidade
de saúde. No sábado (23), já com falta de ar, voltou ao hospital e ficou
internada com respirador.

Na
segunda-feira (25), Maria foi para a UTI, com entubação. No dia seguinte, a
família recebeu a ligação do hospital com o anúncio da sua morte. Ela foi
enterrada no mesmo dia, sem velório, no cemitério municipal de Pederneiras,
onde tinha parentes.

“Desde que
começou essa pandemia minha mãe ficava só com a gente, eu, minha esposa e minha
filha, que moramos ao lado. Ela não saía para quase nada, apenas para ir ao
médico, a uma farmácia. Não acreditamos que aconteceu com a gente”, diz o
filho.

Segundo ele,
que teve Covid em novembro do ano passado, mas que cumpriu a quarentena sem
sintomas, a mãe já fazia planos por uma nova rotina com a chegada da vacina.

“Ela sempre
falava da vacina, agora que começou a chegar ela estava esperançosa, sempre
repetindo pra sua neta frases como ‘logo tô vacinada’. Mas não deu tempo”,
lamenta.

Apesar da
tristeza, João Carlos destaca a lição que dona Maria deixou para a família, com
ações solidárias como a de fazer máscaras para quem não podia comprá-las.

“Minha mãe
sempre teve bom coração, sempre ajudou as pessoas, e nos deixou a lição de que
devemos ajudar sempre que pudermos”, diz.

 Solidariedade
contra a depressão

Ao G1 em
maio do ano passado, Maria explicou que a ideia de fazer as máscaras e
distribuir para pessoas carentes surgiu a partir do momento em que o rigoroso
isolamento social exigido pela pandemia afetou o trabalho da mulher que desde
os 12 anos vivia da costura, mas que viu os pedidos praticamente sumirem.

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