
Médico afirma que afastamento teria relação com divergências sobre a gestão hospitalar e detalha denúncias que diz ter encaminhado ao Ministério Público
O médico Anderson Azevedo Dutra divulgou uma carta aberta à população de Araçatuba e região após ter seu acesso à Santa Casa de Araçatuba impedido pela administração da instituição. No documento, o profissional apresenta sua versão dos fatos e faz críticas à gestão do hospital.
Segundo Anderson Dutra, o impedimento de sua entrada na Santa Casa teria diversos objetivos, mas, em sua avaliação, o principal deles seria impedir sua atuação e liderança técnica dentro da instituição.
O médico também comentou sobre o remanejamento de pacientes pediátricos para a área da UTI Neonatal. Embora reconheça que a medida possa ser vista como uma solução emergencial, ele afirma que a situação evidenciaria o que classificou como uma gestão temerária da unidade hospitalar.
De acordo com o profissional, a utilização de leitos da UTI Neonatal para receber pacientes pediátricos com doenças respiratórias poderia aumentar o risco de contaminação de recém-nascidos prematuros e outros bebês internados na unidade, mesmo com a adoção dos protocolos de prevenção previstos pelo Ministério da Saúde.
Na carta, Anderson Dutra afirma que a alternativa adequada seria a ativação de um plano de contingência emergencial elaborado por ele e sua equipe e aprovado pela administração e pela diretoria técnica da Santa Casa em março deste ano.
Segundo o médico, o plano previa a utilização de uma área reformada no terceiro andar do hospital, conhecida como UCINCO, que estaria sem utilização há mais de um ano. Ele afirma que o espaço poderia funcionar como uma unidade respiratória emergencial para atendimento dos casos pediátricos.
Ainda de acordo com Anderson Dutra, haveria estrutura física disponível, recursos financeiros oferecidos pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-2), equipamentos, equipe de enfermagem, fisioterapeutas, profissionais de apoio e equipe médica apta para atuar na unidade.
O profissional afirma que chegou a oferecer sua própria equipe para assumir os atendimentos necessários, mesmo diante do que descreve como um ambiente de insegurança profissional.
Na manifestação, Anderson Dutra informa ainda que protocolou, no dia 10 deste mês, um pedido de rescisão contratual junto à Santa Casa de Araçatuba. Segundo ele, na mesma ocasião encaminhou ao Ministério Público denúncias relacionadas ao que classifica como gestão temerária, acompanhadas de documentos que, segundo afirma, vêm sendo reunidos desde 2023.
O médico também relata que, apesar de ter solicitado o encerramento do vínculo contratual, pretendia cumprir o período de transição previsto no contrato. Segundo ele, o impedimento de acesso ao hospital teria impossibilitado o cumprimento desse prazo.
Ao abordar questões assistenciais, Anderson Dutra explica que o diagnóstico de doenças respiratórias em crianças não depende exclusivamente da confirmação por exames laboratoriais. Segundo ele, o diagnóstico médico é baseado na avaliação clínica, nos sintomas apresentados e em exames complementares, podendo haver casos em que os testes para identificação de agentes infecciosos apresentem resultado negativo mesmo diante de um quadro respiratório evidente.
O médico afirma que se posicionou contra a internação de crianças com isolamento respiratório na enfermaria pediátrica, alegando que o local não teria sido planejado para esse tipo de atendimento.
Ainda segundo o relato apresentado na carta, duas crianças teriam adquirido infecções respiratórias após permanecerem na mesma enfermaria e evoluído para quadros graves, sendo posteriormente internadas na UTI Pediátrica. As informações fazem parte da versão apresentada pelo médico.
Ao final do documento, Anderson Dutra afirma que continuará defendendo a assistência às crianças da região e destaca sua trajetória profissional de aproximadamente 30 anos em Araçatuba. O médico também agradece à população dos 38 municípios que compõem a região de saúde atendida pela Santa Casa.
A Santa Casa de Araçatuba informou anteriormente que o afastamento do profissional possui caráter cautelar e está relacionado a uma sindicância interna instaurada para apuração de responsabilidades. O hospital também declarou que o caso segue sendo tratado administrativamente.















