Por Brenda Rachit e Carlos Brito, g1
Pará e TV Liberal — Belém
Um idoso foi
atacado por uma cobra no bairro Santa Rita, em Marabá. O morador é um dos
milhares de desabrigados do município, que enfrenta severo alagamento por conta
da cheia dos rios Tocantins e Itacaiunas, no sudeste paraense. O aposentado
Manoel Medeiros tem uma criação de galinhas e patos e foi mordido pela sucuri
enquanto tentava salvar um dos animais.
Imagens
feitas com celular mostram o momento em que os próprios moradores do local
socorrem o idoso e arrancam a cabeça da sucuri com um serrote.
O aposentado
está temporariamente em um abrigo improvisado às margens da pista e conta que,
minutos antes do ataque, ouviu um dos animais que cria fazendo barulho e foi verificar.
Foi quando viu que uma pata havia sido pega pela cobra. Ele e outros moradores
tentaram espantar a sucuri com uma pedra.
“Ela foi embora. Eu esqueci da cobra e
me lembrei da pata. Aí eu fui espantar a pata pra ela ir pra dentro, mas quando
eu cheguei a cobra me atacou”, conta o morador.
Manoel conta
ainda que a cobra o mordeu no joelho e o apertou com força.
“Eu fiquei
segurando até o povo vir pra me ajudar. Foi um susto. Arriscado de ela me
vencer porque a força dela é maior do que a minha”, lembra.
Ao ser
atacado, o idoso começou a gritar pedindo socorro. Os vizinhos socorreram a
vítima e acabaram matando o animal. Manoel não teve ferimentos graves, apenas
uma perfuração no joelho e nos dedos.
A Polícia
Militar de Marabá confirmou o caso e informou que todo o socorro do idoso foi
feito pelos moradores, sem atuação das equipes. Segundo a PM, a área não possui
policiamento ambiental, mas a orientação é que os moradores evitem entrar em
áreas alagadas devido o risco de doenças, acidentes com rede elétrica e contato
com animais como cobras e jacarés.
O g1
conversou com o biólogo Victor Hugo Costa, que explicou que as serpentes
sucuris não se alimentam de humanos e que devia estar acuada quando realizou o
chamado ‘bote’, que é um mecanismo de defesa do animal.
“Quando esses animais podem,
eles dão o bote e fogem. Eles não querem se alimentar, porque é muito difícil.
Eles precisam gastar muita energia. Então isso não vai acontecer porque a gente
não faz parte da cadeia alimentar de nenhum outro animal”.
O biólogo
explica ainda que as cheias em Marabá fazem com que o ecossistema que esses
animais estão inseridos mudem e, com isso, eles acabam sendo levados para a
área urbana. “Nas cidades a gente encontra muito lixo. Esses resíduos
atraem os ratos e esses, sim, são alimentos para as serpentes”, conclui.
Victor
reforça que o ocorrido no vídeo foi um acidente e que o ideal em casos como
esse é tentar preservar também a vida do animal.
“Uma sucuri pra chegar nesse tamanho,
ela precisa de muito tempo. Então a gente não tem noção do papel dela no
ecossistema. Tirando a serpente desse local, possivelmente o desequilíbrio
ambiental vai ser enorme”, explica o biólogo.
Ele reforça
que é preciso levar informação à comunidade para que as pessoas entendam e
saibam como agir. “A gente tem uma moeda de dois lados aí. Tem as pessoas que não
entendem e tem a questão ambiental. É preciso tentar levar informações para as
pessoas, para que elas entendam e respeitem”, conclui Victor.














