IMOBILIARIA-TERRA

Variante delta é o fim do sonho de imunidade coletiva com vacina?

Compartilhe nas redes sociais:
Facebook
WhatsApp
Email
Twitter
Continua após a publicidade

 

Por AFP

R7 (https://noticias.r7.com/ )

Médicos
dizem que só vacinação em massa e manutenção de máscaras garantem controle da
pandemia, mesmo com nova cepa

Variante
Delta do SARS-CoV-2 pode impedir sonhada imunização coletiva

Com a
variante delta, muito mais contagiosa que a cepa original, parece ilusório
alcançar a imunidade coletiva apenas com as vacinas anticovid-19, embora os
imunizantes continuem sendo cruciais para conter a pandemia – destacam
especialistas ouvidos pela AFP.

Há vários
meses, a imunidade coletiva – ou seja, o nível de pessoas imunizadas a partir
do qual a epidemia é controlada – é considerada o “santo graal” para
uma saída da crise sanitária mundial. Mas, assim como graal, não se trata de
uma quimera? Tudo depende da definição adotada, respondem os cientistas.

“Se a
pergunta é ‘apenas as vacinas permitirão o retrocesso e o controle da
epidemia?’, a resposta é não”, disse à AFP o epidemiologista Mircea
Sofonea.

De fato,
“há dois parâmetros: a contagiosidade intrínseca do vírus e a eficácia da
vacina contra a infecção. E não são suficientes”, acrescenta.

Por quê? A
variante delta, agora dominante, é considerada 60% mais transmissível que a
precedente (alfa), e duas vezes mais, que a cepa original. E, quanto mais
contagioso é um vírus, mais elevado é o nível necessário para alcançar a
imunidade coletiva, obtida por meio das vacinas, ou da infecção natural.

“No
plano teórico, é uma fórmula muito fácil de calcular”, afirma o
epidemiologista Antoine Flahault. O cálculo é feito com base no índice de
reprodução de base do vírus (ou R0), ou seja, o número de pessoas que um
infectado contamina na ausência de medidas de controle.

Para o vírus
original, ou histórico (com um R0 de 3), a marca da imunidade coletiva era
calculada em “66%” de pessoas imunizadas, recorda o

professor
Flahault. “Mas, se o R0 é de 8, como acontece com a variante delta,
chegamos a 90%”, explica.

Este nível
poderia ser alcançado, se as vacinas fossem 100% eficazes contra a infecção.
Mas não é o caso. De acordo com dados publicados na última terça-feira (24)
pelas autoridades dos Estados Unidos, a eficácia das vacinas da Pfizer e da
Moderna contra a covid-19 caiu de 91% para 66% desde que a variante delta se
tornou dominante no país.

Além das
características da variante, a perda da eficácia pode ser provocada também por
uma redução com o tempo. Cai de 88% para 74%, após cinco a seis meses, para a
Pfizer; e de 77% a 67%, após quatro ou cinco meses, para a AstraZeneca,
conforme estudo britânico publicado na quarta-feira (25).

Esse quadro
vem estimulando cada vez mais países a contemplarem vacinas de reforço, em
geral, uma terceira dose.

 Um dos pais
da vacina da AstraZeneca, professor Andrew Pollard, da Universidade de Oxford,
foi claro em um discurso em 10 de agosto aos deputados britânicos: “Com a
variante atual, estamos em uma situação, na qual a imunidade coletiva não é uma
possibilidade, pois infecta pessoas vacinadas”.

 Ainda assim,
mesmo que a imunidade coletiva por meio da vacinação tenha se tornado um
“mito”, nas palavras do professor Pollard, os especialistas insistem
em que as vacinas são indispensáveis.

“O que
os cientistas defendem é que devemos ter o máximo de pessoas protegidas”,
frisou o professor Flahault.

As vacinas
são muito eficazes para evitar as formas graves da doença, assim como as
hospitalizações. Além disso, garantem uma proteção coletiva aos que não podem
ser beneficiados pela vacinação, como as pessoas com sistema imunológico
debilitado por outra doença, como câncer, ou em caso de transplante, por
exemplo.

Em resumo,
sim, é possível “alcançar a imunidade coletiva, mas não apenas por meio da
vacinação”, considera Mircea Sofonea. Isto significa manter “o uso da
máscara e formas de distanciamento social, em especial em certos
territórios”, para frear o vírus e reduzir ao máximo os riscos.

“Durante
a pandemia de aids, quando os cientistas afirmaram que era necessário usar
preservativos, muitas pessoas responderam ‘tudo bem por enquanto, por um
tempo’, mas continuamos fazendo”, recorda Antoine Flahault.

“Podemos
continuar a usar a máscara em locais fechados e nos transportes por um bom
tempo”, acrescentou.

Por que podem
acontecer reações adversas após a vacinação? Segundo o infectologista Munir
Ayub, as vacinas são produzidas para estimular a produção de anticorpos
imunizantes. Esse processo pode resultar em reações, dependendo de cada
organismo. “As vacinas são produzidas para estimular a resposta imunológica com
a produção de anticorpos imunizantes. Quando a vacina entra em contato com um
agente etiológico, ou seja, vírus ou bactéria causadora da doença, a pessoa
estará protegida. Essa produção é responsável pelas variáveis entre as pessoas.
Existem indivíduos que são mais reatogênicos, ou seja, têm mais possibilidade
de ter reações’, afirma

Ricardo
Maldonado Rozo/EFE/EPA – 14.05.2021

 

Notícias Relacionadas:
Rolar para cima

Descubra mais sobre Sorriso News

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo